Nasceu no Espírito Santo,
em Cachoeira do Itapemirim e morreu, em 1990, depois de Machado de Assis ele
foi um dos mais populares cronistas brasileiro. É cronista e foca o cotidiano. É
um escritor "popular", trabalhou como jornalista, é claro que já
morreu. Seus contos também são importantes, é um escritor contemporâneo. Ele
escreveu várias crônicas, muitas foram publicadas em jornais, revistas e, é
claro em livros. No ano seguinte matricula-se na faculdade de Direito do Rio de
Janeiro, curso que conclui em
Minas Gerais, aos 19 anos, mesmo ano de sua prisão, por
escrever artigos em jornais favoráveis à Revolução Constitucionalista. Em 1933
transfere-se para São Paulo e torna-se grande amigo de Mário de Andrade. Em
1936 publica seu primeiro livro de crônicas selecionadas O Conde e o Passarinho, imortalizando em livro suas passageiras e
cotidianas crônicas de jornal. A partir de 1975 passou a fazer parte do
departamento de jornalismo da tv Globo, do qual fez parte até sua morte, em 1990.
Uma das caractrísticas de
sua obra, das crônicas é a intensidade poética que traduz o cotidiano, a
natureza, os lugares comuns.
Romance? Casa do Braga.
Crônicas?
- O Conde e o Passarinho,
1936
- O Morro do Isolamento,
1944
- Com a FEB na Itália,
1945
- Um Pé de Milho, 1948
- O Homem Rouco, 1949
- 50 Crônicas Escolhidas,
1951
Ele foi casado e só teve
um filho.
Texto I
Tuim criado no dedo
João-de-barro
é um bicho bobo que ninguém pega, embora goste de ficar perto da gente; mas de
dentro daquela casa de joão-de-barro vinha uma espécie de choro, um chorinho
fazendo tuim, tuim, tuim...
A casa
estava num galho alto. Um menino subiu até perto. Depois, com um avara de
bambu, conseguiu tirar a casa sem quebrar e veio baixando até o outro menino
apanhar. Dentro, naquele quartinho que fica bem escondido depois do corredor de
entrada para o vento não incomodar, havia três filhotes, não de joão-de-barro,
mas de tuim.
De
todos esses periquitinhos que tem no Brasil, tuim é capaz de ser o menor. Tem
bico redondo e rabo curto e é todo verde, mas o macho tem umas penas azuis para
enfeitar. Três filhotes, cada um mais feio que o outro, ainda sem penas, os
três chorando. O menino levou-os para casa, inventou comidinhas para eles; um
morreu, outro morreu, ficou um.
Em
geral a gente cria em casa é casal de tuim, especialmente para se apreciar o
namorinho deles. Mas aquele tuim macho foi criado sozinho e, como se diz na
roça, criado no dedo. (...)
Foi lá,
chorando, disse ao dono da casa: “Se não prenderamo meu tuim, então por que o
senhor comprou gaiola hoje?”
O homem
acabou confessando que tinha aparecido um periquitinho verde sim, de rabo
curto, não sabia que chamava tuim. Ofereceu comprar, o filho dele gostara
tanto, ia ficar desapontado quando voltasse da escola e não achasse mais o
bichinho. “Não senhor, o tuim é meu, foi criado por mim”. Voltou para casa com
o tuim no dedo.
Pegou uma tesoura: era
triste, uma judiação, mas era preciso: cortou as asinhas. Assim ele poderia
andar solto no quintal, e nunca mais fugiria.
Depois
foi lá dentro fazer uma coisa que estava precisando fazer, e, quando voltou
para dar comida ao tuim, viu só algumas penas verdes e as manchas de sangue no
cimento. Subiu num caixote para olhar por cima do muro quando viu o vulto do
gato ruivo que sumia.
Texto II
Os amantes
Nos
dois primeiros dias, sempre que o telefone tocava, um de nós dois esboçava um
movimento, um gesto de quem vai atender.
Mas o
gesto era cortado no ar. Ficávamos imóveis, ouvindo a campainha bater,
silenciar, bater outra vez. Havia um certo susto, como se aquele trinado
repetido fosse uma acusação, um gesto agudo nos apontando. Era preciso que
ficássemos imóveis, talvez respirando com mais cuidado, até que o aparelho
silenciasse.
Então
tínhamos um suspiro de alívio. Havíamos vencido mais uma vez os nosso inimigos.
Nossos inimigos eram toda a população da cidade imensa, que transitava lá fora
nos veículos dos quais nos chegava apenas um ruído distante de motores, a
sinfonia abafada das buzinas, às vezes o ruído do elevador. (...)
No
segundo dia ainda hesitamos; mas resolvemos deixar que o pão e o leite ficassem
lá fora; o jornal era remetido por baixo da porta, mas nenhum de nós o
recolhia. Nossas provisões eram pequenas; no terceiro dia já tomávamos café sem
açúcar, no quarto a despensa estava praticamente vazia. No apartamento mal
iluminado íamos emagrecendo de felicidade. (...)
Quando
cheguei à rua e olhei, com um vago temor, um sol extraordinariamente claro me
bateu nos olhos, na cara, desceu pela minha roupa, senti vagamente que aquecia
meus sapatos. (...)
Havia
um grande caminhão vendendo uvas, pequenas uvas escuras; comprei cinco quilos,
o homem fez um grande embrulho; voltei, carregando aquele embrulho de encontro
ao peito, como se fosse a minha salvação.
E levei
dois, três minutos, na sala de janelas absurdamente abertas, diante de um
desconhecido, par a compreender que o milagre se acabara; alguém viera e batera
à porta e ela abrira pensando que fosse eu, e então já havia também o carteiro
querendo recibo de uma carta registrada e, quando o telefone bateu, foi preciso
atender, e nosso mundo foi invadido, atravessado, desfeito, perdido para sempre
– (...)
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